APRENDIZ DE JORNALISTA
JORNAL ON LINE LABORATÓRIO UFRN JULHO 2003


Professores da UFRN entram em greve mesmo sem o apoio dos alunos

Os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte decidiram, em assembléia, entrar em greve a partir do dia 08 de julho de 2003, mesmo sem a aprovação dos alunos. O motivo seria o descontentamento de professores e servidores públicos com relação à reforma da Previdência, proposta pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva.

A manifestação grevista tem o intuito de retirar integralmente a PEC-40 (Proposta de Emenda Constitucional) do contexto reformista. Após uma série de Assembléias foi decidido com 66 votos favoráveis, 14 contrários e 4 abstenções o inicio da greve. Atualmente a UFRN dispõe, aproximadamente

de 3200 funcionários e de 1500 professores na

ativa, no entanto apenas 86 professores participaram da assembléia de indicativo de greve.

Esse movimento de cunho nacional, não engloba apenas os servidores das universidades, mas também funcionários de outras instituições municipais, estaduais e federais.  Os servidores públicos acreditam que a reforma da Previdência é uma imposição do FMI, para forçar a implantação de uma Previdência complementar regida pelos fundos de pensões. Mesmo tratando-se de um movimento de reivindicação nacional não existe uma coesão por parte da categoria que possui opiniões divergentes sobre o indicativo de greve. O professor do Departamento de Filosofia, Jaime Biella, se posiciona contra esse movimento por três motivos básicos: “Primeiro, categoria completamente desorganizada, (...) segundo, a proposta do movimento não é, nem um pouco, produtiva, (...) terceiro, acho um momento completamente inapropriado, começar uma greve faltando 2 semanas para encerrar o semestre”. Uma outra questão levantada pelo professor é que a greve significa a suspensão apenas  das aulas de graduação. “...A pós-graduação continua funcionando, os cursos que são pagos, os laboratórios, e as pesquisas também...”. -concluiu.

Assim como Jaime, Rafael Duarte - Presidente do Centro Acadêmico de Comunicação Social, acusa que existe uma desorganização por parte dos professores e que a greve é sempre mal conduzida. “... nós não cremos nos professores, na força deles”.

Até mesmo a CUT (Central Única dos Trabalhadores) não tem deixado clara a sua posição em relação à greve. Para ela, a melhor maneira de resolver esse impasse seria a negociação dos pontos em desacordo.  

Para o presidente da ADURN - Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - José Humberto de Araújo, nesse momento e nessas condições a greve é o único instrumento capaz de levar a um processo de negociação com relação à reforma da Previdência. Biella se posiciona contra esse argumento, acreditando que a melhor maneira de resolver o problema da Reforma seria elaboração de uma proposta de negociação. 

José Humberto afirma que a forma como está sendo conduzida a PEC é, no mínimo, inconstitucional além de se tratar de uma “contra-reforma” uma vez que retira os direitos conquistados pelos trabalhadores públicos. A adoção dessa política na visão dele causa prejuízo a toda uma sociedade “... vai haver o empobrecimento de toda uma classe média e depois a diminuição do serviço público, que é um dos interesses do projeto neoliberal, o Estado minimamente atuando na sociedade...” – declara.

Já Biella defende que se a reforma não for feita, daqui a alguns anos o estado não vai ter mais recursos para pagar todas as aposentadorias, uma vez que essas crescem gradativamente.

De janeiro a maio desse ano 66 professores se aposentaram, enquanto em todo o ano passado o número de aposentadorias foi de aproximadamente 36. 

Somando-se a isso, ainda existem 400 professores com condições efetivas de se aposentarem caso a reforma venha a ser concretizada. “... a perspectiva é de que eles se aposentem caso a reforma continue porque a maioria já está com os papéis preparados...” -disse José Humberto.

Segundo o presidente da ADURN a participação dos estudantes nesse movimento é importantíssima para que este possa ser consolidado. Também compartilha dessa mesma opinião Rafael, acreditando que a greve não se faz sem o apoio dos estudantes. Apesar disso, a posição do C.A. é contrária a realização da greve, uma vez que, irá prejudicar o calendário acadêmico e conseqüentemente o aproveitamento do conteúdo semestral, além da pauta de reivindicações não possuir, aparentemente, nenhum ponto que proponha melhoria para universidade. “... a greve é um instrumento legítimo de reivindicação, mas ela não vem funcionando, principalmente dentro da Universidade, eu falo por experiência própria...”, afirma Rafael.

Acredita que o motivo mais justo para os estudantes aderirem a greve seria a melhoria na educação, ou no todo da Universidade e não com o objetivo que está sendo proposta.

“O carro chefe é a reforma da previdência, nós não levamos fé nessa questão”, reforça.

O futuro da greve e da Universidade ainda é incerto, não se sabe se os propósitos dos grevistas serão alcançados, ou se trarão algum beneficio, o certo é que a luta dos professores e funcionários públicos é legítima, no entanto, os malefícios por ela gerados acarretam em muitas perdas para ambos os lados.

Foi realizado um ato público no dia 8 de julho de 2003, às 9:00h na rua Apodi em frente ao INSS, dando inicio a uma série de manifestações contra a reforma da previdência.


Karla Cristiane, Mariane Cavalcante, Reneide Graciele, Thatyanne Abrantes