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KARL MARX

Érika Zuza, Luzigrácia Rocha,

Karla Pereira e Janaína Almeida (*).

HISTÓRICO

            Karl Marx nasceu em 5 de maio de 1818 em Treves, capital da província alemã do Reno, cuja tradição remontava aos tempos de Roma. Treves desempenhava um papel, no século XIX, importante na cultura dessa região, misturando o liberalismo revolucionário, vindo da França, com a reação do Antigo Regime, liderada pela Prússia. Pouco se sabe sobre seus antepassados. Seu pai, Hirschel, era advogado e conselheiro de justiça. Em 1824 abandonou o judaísmo, batizando-se com o novo nome de Heirinch. É possível que essa conversão tenha sido por motivos materiais, pois, nessa época os cargos públicos ficavam vedados aos judeus da Renânia. Sua mãe, Enriqueta Pressburg, apesar de descendente de rabinos não exerceu sobre o filho a forte doutrinação, habitual nas famílias israelitas, e não teve qualquer influência intelectual sobre sua formação.

Quando terminou o secundário em Treves, Marx se matriculou na Universidade de Bonn, queria estudar jurisprudência. Lá, descobriu a vida boêmia e esbanjou dinheiro. Na universidade, também, passou a escrever versos apaixonados para uma amiga de infância, Jenny Von Westphalen, que viria a se casar, algum tempo depois. As famílias se opuseram, já que seria um casamento desigual, pois, a jovem possuía alta posição social, no entanto, nada adiantou.

Cumprindo um desejo do pai, que queria que terminasse os estudos antes do casamento, matriculou-se na Universidade de Berlim. Afastou-se do Direito e se aproximou da História e da Filosofia. Em uma de suas cartas ao pai, Marx revela suas relações contraditórias com o hegelianismo, pensamento dominante na Berlim da época. Apesar disso, não deixou de ser atraído e envolvido pelo idealismo de Hegel, Filosofia que se propõe , sobretudo, juntar o método e o objetivo. Estado, Religião, Filosofia constituem para Hegel suprema manifestação de Deus, entendido como absoluto. Desse ponto de vista, a religião cristã aparece como a mais completa revelação da razão, enquanto espírito universal.

O jovem Marx participou diretamente das discussões e dos trabalhos do grupo de Berlim até 1841, período em que voltou a Treves. Levava consigo textos inacabados, abrangendo vários estudos como a crítica da escola histórica do Direito, análise da arte cristã entre outros. Abandonou a carreira de advogado para tentar conseguir uma cátedra universitária.

 Marx não conseguiu abraçar a carreira universitária em Bonn, procurou uma universidade menor e neutra, doutorou-se então por Iena. Marx enviou um artigo, na época, para a revista Anedota, publicada por Ruge, contra a censura na imprensa, passou a colaborar, também, com a Gazeta Renana, órgão liberal publicado em Colônia. Marx passa então a se preocupar com problemas políticos e sociais. Pouco a pouco, o que para Marx parecia dever ser uma revolução política, reclamando uma reorganização do Estado, transformou-se na idéia de uma revolução social, que deveria modificar a própria estrutura da sociedade como um todo.

O namoro da burguesia liberal com a esquerda hegeliana durou pouco. A crítica social –democrata desenvolvida por Marx, o socialismo utópico de Moses Hess, afastaram os leitores da Gazeta Renana, que foi fechada pelo governo. Marx acabou emigrando para a França.

A esquerda hegeliana resolveu então publicar uma revista no exílio que se chamaria “Anais-Franco-Alemães”. Ela não passou do primeiro número duplo, Marx colaborou com dois trabalhos: Introdução a uma crítica da Filosofia do Direito de Hegel e a Questão judaica. Nesse único dos “Anais Franco-Alemães”, foi publicado um artigo de Frederick Engels que marcou uma virada no pensamento de Marx. Ele faria da Economia Política, seu principal objeto de estudo. Do mesmo modo que Engels, Marx partiu da idéia feuerbachiana do homem como um ser genérico, pensando, além do mais, a sociedade civil como lugar de sua alienação. Esta nasce de uma forma de trabalho  a que o sistema de produção, orientado para a posse e para o mercado, submete o trabalhador. O homem produz, apenas, para ter o produto do seu trabalho a fim de trocá-lo por outro. E aí, com a deslealdade do comércio, todos acabam se alienando. Contudo, discorda de Feuerbach na teoria de que a religião era conseqüência,e não causa, da alienação do homem através da exploração e das lutas de classe, que só poderia ser resolvido com a ascensão do proletariado ao poder.

Para Marx, o Estado Alemão da sua época representava o passado dos povos modernos e a luta contra sua opressão assinalaria o esforço de livrar a humanidade de todos os laços que a alienam. Um de seus pensamentos é de que toda crítica permanece inócua se não atinge a raiz do próprio homem, enquanto ser concreto e a sociedade no qual vive e se manifesta.

A coincidência de perspectivas e de resultados uniu Marx e Engels a um trabalho comum. Fizeram : “A Sagrada Família”, no qual, o subtítulo é: “Crítica de uma Crítica Crítica”. Eles preconizavam um amplo entrosamento da teoria com os proletários, pois, diziam, nada é mais ridículo do que uma idéia isolada de interesses concretos. O livro ainda não havia sido publicado, quando Marx foi expulso do território francês, em fevereiro de 1845. Refugiou-se, em Bruxelas, e o motivo da expulsão foi um artigo escrito para Vorwaerts que tratava sobre a greve dos tecelões da Silésia. O governo prussiano aproveitou-se disso para pressionar o governo Francês para fechar a revista e perseguir seus redatores.

No exílio, Marx e Engels redigiram  “Ideologia Alemã” e, lá, Marx continuou a se preocupar com a política. Participou da “ Liga dos Comunistas” e foi para um congresso da Liga que ele e Engels prepararam: o “Manifesto Comunista”. Essa obra insiste na necessidade de substituir o programa contra a propriedade privada, em geral, pelo projeto da apropriação coletiva dos meios de produção capitalista, quanto a fonte de alienação do homem que vive numa sociedade desse tipo.

No ano de 1848, Marx desenvolveu intensa atividade. O rei Leopoldo da Bélgica respondia à agitação popular, dissolvendo todo tipo de agitação operária e perseguindo os exilados que, lá, estavam. Marx retornou a Paris. A Liga, no entanto, dissolveu-se e Marx fundou a “Nova Gazeta Renana”. Viu-se obrigado a procurar novo exílio, devido à vitória de seus adversários. Fixou-se, definitivamente em Londres.

Escreveu “O 18 Brumário de Luís Bonaparte” em 1852, que era uma forma de resolver seus problemas financeiros. Tratando de um assunto atual, ele esperava ganhar algum dinheiro. Por oito anos, colaborou com dois artigos semanais, no “New York Tribune”. Em 1859, ficou pronto o texto: “Para a Crítica da economia Política” e em 1867, foi publicado “O Capital”. Marx escreveu para si próprio uma enorme quantidade de textos, hoje, reunidos em grande parte nos “Esboços da Crítica da Economia Política” e “Teorias sobre a Mais-Valia”, sendo que este último deveria constituir o quarto volume de “O Capital”.

Quando se estabeleceu, em Londres, que Marx entrou em contato com as teorias de Adam Smith e David Ricardo. Divergindo deles na teoria da evolução do sistema da economia inglesa, devido ao diferente contexto filosófico e objetivo científico – diferentes problemas para resolver – fazendo adotar um enfoque metodológico distinto para a  economia política. Ele percebeu que os economistas ingleses se detiam às riquezas das nações, usando como premissas, as análises da sociedade da época. Por isso, aprofundou seu estudo relacionando, explicitamente a sua economia ao quadro referencial mais amplo de seu pensamento filosófico, social e político. Naturalmente, achou a análise de Ricardo, particularmente, útil, pois, Ricardo ao se concentrar na questão da distribuição do produto nacional total, proporcionou exatamente o ponto de partida correto para o problema econômico central de Marx – as origens do excedente, usado na revolução industrial que descobriu Ter origem na pirataria, nas cruzadas, escravidão, colonização e expropriação da terra camponesa, que, embora, visasse, inicialmente, apenas, o lucro imediato dos latifundiários, teve sua conseqüência refletida na industrialização inglesa.

TEORIA

As teorias de Marx são muitas, contudo, explicaremos as principais: M-D-M, D-M-D*, D-D*; Mais-valia; Valor social; Exército de trabalhadores, Trabalhador vivo X trabalhador morto. Após descobrir a origem do capital, Marx dedicou-se a estudar as fases do capitalismo. Este teve seu primeiro momento no que Marx denominou de M-D-M, ou seja, quando um indivíduo troca uma mercadoria por dinheiro e o usa para adquirir uma outra mercadoria necessária para a sua subsistência, não visando ao lucro. A Segunda fase é a do  D-M-D*, na qual consiste no investimento em dinheiro do indivíduo numa mercadoria ou produção, com o intuito de vendê-la por um preço mais alto, visa ao lucro. A terceira fase é a D-D* que trata da especulação, quando um indivíduo de posse de seu excedente passa a emprestá-lo a juros, visando um lucro maior. Nesta fase, ele alerta para o crescimento do mercado especulativo em detrimento do produtivo, causando desemprego e insegurança ao próprio capitalista, já que a especulação depende de fatores externos.

Foi entre a Segunda e terceira fases que surgiu a mais-valia, consistindo na exploração do proletariado, pelo capitalista, através das horas de trabalho, na qual, o operário trabalha o dobro de tempo necessário para pagar o seu salário. Marx descobriu que uma mercadoria valia o tempo gasto em sua produção, logo, se um operário da indústria fabril para “cobrir” seu salário precisa trabalhar quatro horas produzindo 300 peças, ele trabalhará oito e produzirá 600 peças, pois, as quatro horas a mais e as 300 peças são o lucro do empregador. Vale lembrar que o salário pago ao trabalhador não é o suficiente para sua evolução social (moradia, educação, saúde, etc.), mas, o estritamente necessário a sua sobrevivência e reprodução de mão de obra, como um “combustível”.

        No entanto, Marx consegue, neste contexto, enxergar uma integração social fora e dentro das fábricas, pois na linha de montagem, a divisão do trabalho – que fora criada para alienar os trabalhadores fazendo com que não se vissem como produtores de seus trabalhos – propicia uma interação entre os operários, sem que percebam, ao ponto que se um interrompesse suas atividades toda a montagem seria prejudicada e que se interrompida ou atrasada, refletiria na distribuição e no consumo. É nesta integração social que o alemão vê o suicídio dos capitalistas, ao reunirem, num mesmo ambiente, pessoas em péssimas condições de trabalho, aumentando o risco de uma revolta.

        Para o Marxista, o que, até aquele momento, impedia a revolução dos operários era o exército de trabalhadores, ou seja, a concorrência por vagas na produção que fragmentava a classe operária, ao fazer o operário ver em seu companheiro, um rival. Como será que um capitalista consegue manter sempre um excedente de trabalhadores? Simples, trabalho morto X trabalho vivo, que é a substituição do homem pela máquina na linha de produção. Marx, ao contrário do que alguns dizem, não era contra o poder. Mas, contra o poder na mão da burguesia. Pois, pregava tirá-lo  das mãos da minoria e colocá-lo nas mãos da maioria, ou seja, do proletariado, não para que eles tomem as decisões do Estado diretamente, mas para terem o direito de escolher o seu ou seus representantes.

        “ A abolição das condições da propriedade até agora existente não é algo que distinga e caracterize o comunismo (...) o que distingue o comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa”


(*) Alunas de Comunicação da UFRN.